O HPV e a Gestação
A infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano) é relativamente comum durante a gestação. Estudos mostram que a prevalência do vírus tende a ser maior entre gestantes do que entre mulheres não grávidas da mesma faixa etária.
Uma revisão sistemática publicada em 2024 pelo IARC confirma essa tendência, especialmente em mulheres com menos de 25 anos, o que pode estar relacionado às mudanças imunológicas e hormonais próprias da gravidez.
Durante a gestação, o corpo passa por uma modulação natural da imunidade — uma espécie de imunossupressão relativa — que permite a tolerância ao feto. Essa condição, associada ao aumento dos hormônios esteroides, pode favorecer a replicação do HPV e o aparecimento ou crescimento de lesões causadas pelo vírus, como verrugas genitais (condilomas) ou alterações no colo do útero.
Condilomas e o tipo de parto
As lesões condilomatosas (verrugas genitais) podem aparecer, aumentar ou se tornar mais evidentes durante a gestação.
O tratamento pode ser realizado com métodos seguros e bem tolerados, semelhantes aos utilizados em mulheres não grávidas, sempre com avaliação individualizada.
É importante destacar que o parto cesariano não previne a transmissão do HPV ao bebê, portanto não há indicação de cesariana apenas por esse motivo.
Ela é indicada apenas quando existem lesões muito volumosas que causem obstrução do canal de parto ou risco de sangramento durante o parto vaginal.
Alterações no exame preventivo e colposcopia
Se a gestante apresentar alterações no exame de rastreamento do câncer do colo do útero (Teste de DNA/HPV ou citologia/Papanicolaou), pode ser indicada a colposcopia, exame seguro durante a gravidez e essencial para excluir lesões suspeitas de câncer.
De acordo com a ASCCP e a ABPTGIC, o tratamento do colo do útero durante a gestação só é indicado quando há suspeita de câncer invasor.
Nos demais casos, o acompanhamento é feito com reavaliação após o parto, geralmente entre 8 e 12 semanas.
Acompanhamento pós-parto
Após o parto, com o reequilíbrio do sistema imunológico, muitas lesões causadas pelo HPV regridem espontaneamente em até 3 a 4 meses.
Caso persistam alterações nos exames, será definida a conduta mais adequada, de acordo com os achados da colposcopia e dos exames de controle.
HPV e amamentação
Segundo as diretrizes da ASCCP (2023), INCA/MS (2024) e Organização Mundial da Saúde (OMS), a infecção pelo HPV não contraindica a amamentação.
Mesmo em mulheres com lesões ativas ou em tratamento, o leite materno é seguro e não há evidências de que o vírus seja transmitido pela amamentação.
Portanto, as mães com HPV podem e devem amamentar normalmente, desde que não haja lesões abertas, sangrantes ou dolorosas na mama que possam dificultar o aleitamento.
A amamentação continua sendo um ato essencial de vínculo e nutrição, com inúmeros benefícios para o bebê e para a saúde da mulher.
O Instituto de Colposcopia de Brasília (ICB) é referência no diagnóstico, acompanhamento e tratamento das lesões causadas pelo HPV, inclusive durante a gestação e o pós-parto.
Nosso compromisso é com o acolhimento, a segurança e o cuidado individualizado de cada paciente.
Agende sua consulta — prevenir e acompanhar é a melhor forma de cuidar da sua saúde e do seu bebê.


