Consultas de rotina em Ginecologia
Muitas mulheres cresceram ouvindo que devem ir ao ginecologista todos os anos para uma “consulta de rotina”.
Mas, afinal, o que é exatamente essa consulta e qual é a sua real importância?
O Ministério da Saúde implantou, em 1984, o Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero, regulamentado oficialmente em 1998.
Desde então, a consulta ginecológica de rotina se consolidou como um dos pilares da prevenção do câncer de colo uterino, uma doença que, apesar de frequente, é totalmente evitável quando detectada e tratada precocemente.
O que é o rastreamento do câncer de colo uterino?
O rastreamento é uma estratégia de prevenção voltada a mulheres sem sintomas, com o objetivo de identificar lesões precursoras antes que evoluam para o câncer.
Tradicionalmente, o exame utilizado era o Papanicolaou (ou exame preventivo, citologia), mas desde março de 2024, o Ministério da Saúde, por meio do INCA, publicou nova portaria que introduz o Teste de HPV-DNA como método primário de rastreamento no Brasil.
Como ficou a nova recomendação do INCA/MS (2024)?
De acordo com o Protocolo de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero – INCA/MS 2024:
- O Teste de HPV-DNA passa a ser o exame de escolha (teste primário) para o rastreamento.
- Deve ser oferecido a todas as mulheres e pessoas com colo uterino de 25 a 64 anos que já tenham iniciado atividade sexual.
- Quando o resultado for negativo para HPV de alto risco, o exame deve ser repetido a cada 5 anos.
- Se o resultado for positivo, é indicada a triagem reflexa com citologia (Papanicolaou) ou, conforme o caso, colposcopia.
- O Papanicolaou continua sendo uma opção temporária onde o teste de HPV ainda não está disponível, com intervalo de 3 anos, após dois resultados anuais consecutivos normais.
Essas recomendações estão em consonância com as diretrizes da ASCCP (EUA, 2023) e da ABPTGIC (Brasil, 2024), que reforçam a maior sensibilidade e custo-efetividade do Teste de HPV-DNA em comparação com a citologia isolada.
E quanto à mamografia?
A partir dos 40 anos, o risco de câncer de mama aumenta.
O INCA recomenda a mamografia bilateral a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos.
Entretanto, para mulheres com história familiar ou fatores de risco aumentados, o exame pode ser iniciado aos 40 anos, com avaliação individualizada do médico ginecologista.
A importância da consulta ginecológica de rotina
A consulta de rotina não se limita ao exame preventivo.
Ela é o momento ideal para:
- Atualizar o rastreamento do câncer de colo uterino e de mama;
- Discutir contracepção, planejamento reprodutivo e menopausa;
- Avaliar vacinação, especialmente contra o HPV;
- Conversar sobre saúde sexual, infecções, bem-estar e autocuidado.
Mesmo que a mulher não tenha sintomas, essa visita regular ao ginecologista é uma forma de cuidar de si mesma e de prevenir doenças silenciosas.
Em resumo
- A consulta ginecológica de rotina é essencial para a prevenção e detecção precoce de doenças.
- O Teste de HPV-DNA é agora o exame principal para rastreamento do câncer do colo do útero, conforme o Ministério da Saúde (2024).
- O Papanicolaou ainda tem papel importante durante o período de transição.
- A mamografia deve ser feita periodicamente conforme a faixa etária e o risco individual.
E, acima de tudo, a ida ao ginecologista deve ser vista como um ato de cuidado e empoderamento.


