Câncer do colo do útero e HPV
O câncer do colo do útero é um dos mais comuns entre as mulheres no Brasil. Ele é causado, quase sempre, pela infecção pelo HPV (Papilomavírus humano), um vírus muito frequente que é transmitido principalmente pelo contato sexual.
O que é o HPV?
- O HPV é um vírus muito comum: a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com ele em algum momento da vida.
- Na maior parte das vezes, o corpo consegue eliminar o vírus sozinho, sem causar doença.
- Em alguns casos, o vírus fica “adormecido” (latente) e não provoca sintomas.
- Uma pequena parte das mulheres pode ter infecção persistente por tipos mais perigosos (HPV 16 e 18), que podem causar lesões no colo do útero e, se não forem tratadas, evoluir para câncer ao longo de vários anos.
👉 Isso significa que, mesmo sendo muito comum, o HPV raramente causa câncer — mas precisamos estar atentos à prevenção.
Como o HPV se manifesta?
O HPV pode aparecer de três formas:
- Latente: o vírus está presente, mas não há sintomas. Só pode ser detectado em exames específicos (Teste de DNA para HPV).
- Subclínico: existem alterações não visíveis a olho nu, detectadas em exames como Papanicolaou e colposcopia.
- Clínico: lesões visíveis em forma de verrugas genitais (condilomas), geralmente causadas pelos tipos 6 e 11, que não estão relacionados ao câncer.
Quem tem maior risco de desenvolver câncer do colo do útero?
Além da infecção pelo HPV, outros fatores aumentam o risco:
- Mulheres que não fazer exames de prevenção regularmente.
- Início precoce da vida sexual.
- Ter muitos parceiros sexuais.
- Tabagismo (cigarro).
- Imunossupressão de forma geral.
- Presença de outras infecções sexualmente transmissíveis.
Como prevenir?
1. Vacina contra HPV (prevenção primária)
- É a forma mais eficaz de evitar a infecção pelos principais tipos do vírus que causam câncer (16 e 18) e verrugas genitais (6 e 11).
- A Vacina HPV quadrivalente (HPV4)está disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
- Pode ser aplicada também em pessoas mais velhas, até 45 anos, dependendo da avaliação médica.
- É mais eficaz antes do início da vida sexual, mas pode trazer benefícios mesmo depois.
- A vacina é segura, com pouquíssimos efeitos colaterais.
⚠️ Importante: a vacina não trata infecções já existentes, apenas previne novas infecções.
Na Rede de saúde privada, está disponível a Vacina HPV nonavalente (HPV9), com mais 5 outros tipos de HPV, aumentando a proteção contra o câncer cervical.
O número de doses da Vacina HPV tem mudado com a observação de resultados em diversos estudos científicos. O Ministério da Saúde recomenda desde março de 2024 o esquema de uma dose antes dos 15 anos, 2 doses após os 15 anos e 3 doses nos casos de pessoas com Imunossupressão, portadoras de câncer, entre outros.
2. Exames de rastreamento (prevenção secundária)
- Desde de abril de 2024, o Ministério da Saúde passou a recomendar o Teste de DNA para HPV, em Portaria, para o Rastreamento do câncer de colo uterino e atualmente está em processo de regulamentação em todo o país. O Teste de HPV por PCR se mostrou mais sensível na detecção das lesões pré cancerosas do colo uterino do que o exame de Papanicolaou e por isso a mudança. Existe ainda o fato de que o Teste de HPV poderá ser realizado por auto coleta, pela própria paciente, com resultados semelhantes e nos casos em que o Teste de HPV for negativo, o intervalo de repetição passa de 3 anos como era anteriormente, para a cada 5 anos, com segurança semelhante. Essa também é a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e por sociedades médicas como a FEBRASGO, a ABPTGIC, entre outras.
- O exame de Papanicolaou (preventivo) continua sendo usado até a substituição ocorrer.
- A recomendação dos exames de Rastreamento do câncer de colo do útero no Brasil continua sendo em mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram relação sexual.
- O papel dos exames de rastreamento é fundamental, considerando que as alterações pré cancerosas são assintomáticas. Ao detectar essas lesões, fazemos o tratamento adequado, que é simples e muito eficaz e evitamos que o câncer cervical se estabeleça.
3. Uso de preservativo
O preservativo (camisinha) ajuda a reduzir o risco de transmissão do HPV e de outras infecções sexualmente transmissíveis. Porém, não protege 100%, já que o vírus pode estar em áreas da genitália, não cobertas pela camisinha.
Como é feito o tratamento?
- Não existe remédio para eliminar o vírus em si. O tratamento é feito apenas das lesões que ele provoca.
- Verrugas genitais (condilomas): podem ser tratadas com cauterização elétrica, laser, ácidos ou outros métodos.
- Lesões de baixo grau (NIC I): geralmente desaparecem sozinhas, sem necessidade de tratamento imediato.
- Lesões de alto grau (NIC II/III): precisam ser tratadas para evitar a evolução para câncer. O tratamento mais comum é a cirurgia de alta frequência (CAF), feita em consultório, com anestesia local, de forma rápida e bem tolerada.
- Após qualquer tratamento, é essencial manter o acompanhamento regular, pois as lesões podem reaparecer.
HPV é transmissível?
- Sim. O HPV passa pelo contato pele/pele e pele/mucosa durante a relação sexual (oral, vaginal, anal ou mesmo com as mãos).
- Como a maioria das pessoas não tem sintomas, o vírus pode ser transmitido sem que a pessoa saiba.
- Também pode passar da mãe para o bebê no parto, embora seja raro.
- O risco de transmissão por objetos é considerado muito baixo.
O futuro: um mundo sem câncer de colo do útero
A OMS lançou um desafio em 17 de novembro de 2020, com a meta de eliminação do câncer cervical até 2030, conhecida como 90/70/90:
- 90% das meninas vacinadas contra HPV até os 15 anos.
- 70% das mulheres rastreadas com pelo menos 2 Testes de HPV aos 35 e aos 45 anos.
- 90% das mulheres com lesões tratadas adequadamente.
Se alcançarmos esses objetivos, será possível eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública.
📌 Resumo importante para você guardar:
Previna-se e faça seus exames de rotina!
O HPV é comum e, na maioria das vezes, não causa problemas.
O câncer do colo do útero é raro e pode ser evitado com vacina, exames regulares e tratamento precoce.


